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O corpo: arqueologia
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ARQUEOLOGIA DO EVANGELHO
O básico
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A ARQUEOLOGIA ESTUDA AS SOCIEDADES POR MEIO DAS PROVAS MATERIAIS, do grego archaio (antigo) e logos (saber). Ruínas, restos de casa, muro, cidade; vasilhas, ferramentas, manufaturas documentam a cultura material: todo produto físico, toda prova física pode refazer o modo de vida daquela sociedade. Veja os métodos usados.
Autores: Paulo Dias; Norma Tavares. Fontes: Charlesworth, Jesus. WILSON: Jesus, uma biografia. Solé, O Santo Sudário. PASTORINO, vol. 8 pág. 180 e 183, Patr. Gr vol. 33 col. 52 e 1167; e col. 686/7; De obitu Theod., 45-48; Patr. Lat. vol. 16, col. 1401; Hist. Eccles. 1,8, Patr. Lat. vol. 21, col. 476; Hist. Eccl. 2,1; Patr. Gr. vol. 67, col. 929. Ruiz, Metodologia Científica. Fabris, Jesus. Galbiati, Jesus. Orecchia, O Messianismo Judaico, in Galbiati. CLIVE, A Grande Heresia, pg.244; Eisenmann e Wise, in Os Manuscritos do mar Morto.
O ARQUEOLOGO monta um quebra-cabeças, sobretudo no sítio arqueológico, local da pesquisa e colecta de material (trabalho de campo). Registra com nitidez, no diário de campo, as condicionantes do local; analisa em laboratório o material encontrado, para recompor fragmentos do percurso social: alimentos, relações e instrumentos de trabalho, técnicas de fabrico de cerâmica, metalurgia, agricultura.
A ARQUEOLOGIA investiga os depoimentos materiais do passado. No caso do evangelho, liga-se intimamente à Papirologia (estudo dos papiros). O arqueólogo trabalha a partir de documentos historiais, e objectos escavados nos locais; sua tarefa resume-se em esclarecer o registro documental e as crónicas (sempre incompletas) de uma sociedade; Israel teve recente «explosão» de pesquisas em arqueologia: desde 1960, espectaculares descobertas feitas ali foram significativas para a pesquisa do Jesus histórico.
A PESQUISA vem da curiosidade humana, que busca explicar e validar. A mente precisa operar a partir de ''Leis'' evidentes por si mesmas (postulados); todo conhecimento intuitivo deve submeter-se, a posteriori, ao tribunal da razão. O postulado da arqueologia é o conceito de estrato: estratigrafar e datar.
NO SITIO arqueológico, onde se acham vestígios materiais do passado, objectos, casas antigas... quanto mais fundo o achado, mais antigo; de facto, o homem construi reconstruindo sobre entulhos e lixo; reaproveita materiais. Formam-se nas cidades os estratos: camadas e camadas horizontais de terra, de textura e cor variadas. Aquando a cidade resta abandonada, formam-se montezinhos de casas arruinadas, p.ex., no Brasil o pacoval; em Israel chama-se TELL (monte).
A SONDAGEM arqueológica é parcial, rigorosa e controlada; o local é numerado e dividido em lotes quadriculados, A1-B1-A2-B2... que se exploram aos poucos na medida da possibilidade; por vezes é impossível escavar. A terra escavada passa por peneira, o estrato é pincelado, o achado se fotografa, se localiza, se numera, se classifica e se retira com uma parte do estrato em torno.
...Lotes quadriculados num terreno-sondagem. Pesquisadores em trabalho no local das sondagens esquadrinham o terreno com fios e recolhem material com pás.
A ESTRATIGRAFIA analisa o estrato e seus achados; submete intuição à razão. O estrato é descrito, minudenciado, analisado em laboratório e datado. Agora, a datação vem comparar os achados com documentos da época, eventuais grafitos do local, estilo de arte dos achados, e exames físicos: carbono 14 (C-14), oxidagem, micro-ranhuras. Estratigrafar e datar é o método essencial em arqueologia.
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O CORPO
(GIVAT HA MIVTAR - DOMINUS FLEVIT)

«Sua morte, seu sofrimento tem ainda o poder de comover e transformar vidas humanas pois, desde o primeiro instante, aparentemente se colocam diante do leitor ou do ouvinte como Universais» (Wilson).
Ao lado, esquemas interno ESQ e externo DIR de um sepulcro tipal naquele tempo, com a porta fechada por uma pedra circular: «passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo (...) foram ao sepulcro, de manhã cedo (...) - Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande» (Mc 16:1-4).
IESVS NAZARENVS REX IVDEORVM

A tabuleta que encimava a Cruz?
TALVEZ no ano 300 e pouco, a imperatriz Helena teria pesquisado o Gólgota e teria achado cruzes e uma tabuleta, um TITULUS (que MARINI em 1897 refez), que encimava a cruz, guardada em Roma. O mais evidente sinal de sua autenticidade é o uso invertido das letras gregas e latinas, DIR-ESQ, usual até o ano 100 mas não depois, nos séculos seguintes. Por outra hipótese, o autor da placa, um semita, ignorava o sentido ESQ-DIR da escrita ocidental (ver imagem).
O TEXTO diz, (gr.) NAZARENOUS B... e na linha de baixo, (lat.) NAZARENUS RE... escritas do lado errado (não é defeito da imagem). O quadro pontilhado delimita o material hoje existente; o todo da placa representa o titulus tal como pôde ser lido por um depoente da Antiguidade. Conta a tradição, baseada na carta de Cirilo de Jerusalém ao imperador Constâncio e na confirmação de Ambrósio e de Rufino que Helena [S. Helena mãe de Constantino] achou a cruz de Jesus, reconheceu-a pelo inscripto e identificou-a pela tabuleta que nela estava pregada, e que ainda se conserva na igreja da Cruz de Jerusalém, em Roma. Devia ter mais ou menos 65 X 20 cm, era pintada de branco com as letras vermelhas com 3 cm de altura. Em 1492 já faltava o UM da palavra Judaeorum; em 1564 não havia mais as palavras Jesus e Judaeorum. Hoje reduziu-se a 23 X 13 cm, faltando muitos sinais; restam apenas alguns traços inferiores das letras hebraicas; a palavra NAZARENOUS I [BASILEOS] do grego, sem o artigo, conforme o citado por João, que nos conservou, parece, o texto original; e NAZARENUS RE[X], do latim. Todas as palavras escritas da direita para a esquerda, o que é evidente prova de autenticidade já que a um falsário jamais ocorreria escrever errado, quem escreveu a tabuleta devia ser um judeu, e grafou as línguas grega e latina à maneira do hebraico cf. Sozômeno.
Evangelho da esperança
''ELI Eli lemma sabactani'', disse Jesus no madeiro. «Meu Elohim, porque me abandonaste!?» ...palavras que iniciam o Salmo 22, uma parte do Salmo 23 [Sl 22-23], ainda hoje entoado em momento aflitivo. Recentes descobertas da arqueologia somam novos lances à comovente narrativa da cruz -o sepulcro dos primeiros adeptos(?), a tumba de Matias Barsabás, veja mais: O Corpo.
TUMULO DE MATIAS BARSABAS?
A IGREJA de Dominus Flevit em Givat ha-Mivtar, Jerusalém, celebra o momento em que Jesus [dominus] chorou [flevit] sobre a Cidade Santa, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras: ''vendo a cidade, chora sobre ela (...) dia vem sobre ti, em que os teus inimigos te cercam de trincheiras, e te sitiam, e te estreitam de todo lado; e te derrubam, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixam em ti pedra sobre pedra» (Lc 19:37-44). Em 1953, trabalhadores em restauro no local toparam com extensa necrópole de abastados aristocratas judeus (saduceus), cristãos, com tumbas. Isto sugere forte amplitude da difusão do Caminho no seio da nobreza saduceia do tempo romano-herodiano (sec. I), que se dividia entre os movimentos esseu e saduceu, sendo descendente de Sadoque e Zorobabel (cf. Mt 1,1-18), e tendo sido dizimada entre 66 e 73 por causa da Guerra Judaica. Em 1968, acham ali mesmo o corpo de João Ezequiel, homem jovem de 28 anos, crucificado. A figura mostra em planta baixa o conjunto de quase 500 tumbas, uma delas pode ser a de Matias Barsabás, aluno de Jesus segundo os Pais da Igreja («Eles logo deitaram sortes, e deste modo escolheram o nome de Matya Barsaba» -At 2,26). Nos sepulcros, gravados com ponteira ou desenhados em carvão, nomes do Novo Testamento, e ''cruzes tau'' (X ou +) isoladas, sem fim prático. Sobre um ossuarium, signo evidente XP, o conhecido ''monograma do Cristo'', as letras gregas X e P, ou, CH e R - iniciais do nome grego Christos
NAS tumbas de Dominus Flevit, Jerusalém, em 1968, em sondagens no local (Giva'at ha-Mivtar), se achou num ossuário o esqueleto de Yochanan ben Hagkol que morrera crucificado (adiante).
PESQUISAS DE DOMINUS FLEVIT
1953. TERIAM sido os corpos de Jesus, Maria e dos primeiros chrestiani enterrados ali, anonimamente, em segredo? Quem foi o Yeshu de Givat ha Mivtar? A pesquisa iniciada sob a igreja em 1953 revelou um campo-santo com nomes do Novo Pacto, e grafitos evidentes do cristianismo. Sobre uma caixa de ossos evidencia-se o XP: o morto era chrestiano. [Adiante; ver Nota 1]. Podemos perceber o sepulcro de um Yeshu (Jesus); e diversos nomes do evangelho: Salomé, Jairo, Judas, Eleazar [Lázaro]; podemos ler com clareza o nome [gr.] MAPIAM, Mariam, Maria. O Matat descrito aqui, «túmulo de Matat» cf. imagem, seria(?) Matia Barsaba, aluno de Jesus, citado nos Atos. No mesmo local se encontrou em 1968 o corpo crucificado de João Ezequiel ou Yohhanan ben-Hagkol.
GIVAT E' UM CEMITERIO? Resp- Um bairro de Jerusalém.
QUE E' ISTO, ''o corpo crucificado de João Ezequiel ou Yohhanan ben-Hagkol''? - O único corpo crucificado encontrado até hoje (se bem tenha havido milhares de crucificados ao longo dos tempos).
E ISTO O QUE E', «O Matat descrito aqui, ''túmulo de Matat''?» - Provavelmente, Matat aluno de Jesus. (colaborou, Claudia Eliza).
1968. «EM JUNHO de 1968, (...) trabalhadores descobriram» um sepulcro «a cerca de uma milha ao norte» da antiga Porta de Damasco [± 1km; rumo N] com restos mortais de uns trinta e cinco judeus mortos na revolta contra Roma. Um dos esqueletos era um homem que morrera crucificado, Yohanan Ben Ha'galgol, de 1,73m de altura, uns 24 a 28 anos de idade. A descoberta de 1968 deu motivo adicional para supor que «João de fato reuniu um grande conjunto de material factual plausível. Nada difere entre o seu Evangelho da Cruz e as especulações da arqueologia sobre a cruz de João Ezequiel» (Wilson). Estas descobertas, iniciadas a partir de 1953, com ênfase em 1968, inspiram o filme «O Corpo», produzido em 2001 (EUA) com Antonio Banderas no papel principal. «Reafirmando a origem cristão-judia, os ossos dos Kohhim foram ossos exumados naquele tempo. Até hoje nunca foram encontrados ossuários anteriores ao Cristo» (Rinaldo FABRIS). [N.B. Kohhim, i.e., tumbas escavadas em pedra, no formato de forno, Kohha. Muito usadas na altura].
1996. OS achados prosseguiram. «Na Páscoa de 1996», a mídia inglesa deu grande atenção à descoberta surpreendente de um ossuário, encontrado em Jerusalém, que continha os ossos de um pequeno grupo de pessoas, entre as quais estava ''Jesus filho de José''. As outras ossadas eram de duas Marias, de um José, um Mateus e um ''Judas, filho de Jesus''; eram nomes comuns; para muitos, chega a ser surpresa o fato de que o nome Jesus fosse comum naquele tempo (Clive). EDITOU, PAULO DIAS.___________________
Nota 1. XP é a abreviatura grega de CHRISTOS (XPO). O nome Nazareno, gr. nazoraios, hebr. Notzri vem dos nazarenos, grupo pietista e «ortodoxo» da hora, parecido aos esseus; mas, ao se manterem no mundo, vivem em sociedade, trabalham, com vida social normal. Valoram os salmos, como os pietistas; definem-se pelo nacionalismo pacifista militante e por efectivo agir social, cf. Lc 8,1-3. O adjetivo Cristo [messias] indica os «judeus-do-messias», grupo espalhado mais ou menos aleatoriamente entre as outras vertentes judias: saduceus, assideus (=fariseus), zelotes, esseus, samaritanos, galileus e judahitas ou judeus da Judeia. Entre os judeus da hora, res ligio (=grupo ligado entre si), houve saduceus-do-messias e sem-messias, esseus-do-messias e sem-messias etc. Os ''do-messias'' esperam o apocalipse ou Renovar-do-mundo, o messias, o Redimir-de-Israel, a vinda do reino de Elohim, o Ressurgir-dos-mortos, a Nova Aliança (Novo Pacto ou Novo Testamento); fazem causa comum com os batistas; por tudo isso, enterram os mortos com especial respeito e cuidado. Celebram festas peculiares em dias fixos, a Páscoa cai sempre de quarta para quinta-feira (dias do calendário latino); e substituem o holocausto no Templo por um repasto comunal, feito de pão e vinho. Eram os judeus pietistas, hassídicos, que valorizam a prece e os salmos. Fontes, Orecchia; Eisenmann e Wise («o cristianismo conecta-se muito fortemente ao messianismo e o movimento zelote«).

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